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A MAGAZINE BY THE AFRICAN MEDIA & MALARIA RESEARCH NETWORK

 
 

Nesta edição apresentamos a continuação do texto que iniciamos na nossa Primeira Edição desta Revista. Com efeito, convidamos ao caro leitor a acompanhar os passos que demos neste trabalho que visa contribuir na luta contra a malária.

“Por vezes tem calor e outras vezes é frio. Preocupa-nos o facto de não poder comer tendo em conta que está a medicar”, conta Anifa Ali.
No nosso terceiro ponto, ou seja, cidade da Beira, província de Sofala, vivemos casos similares. Crianças a sofrerem devido à malária.

No Centro de Saúde de Munhava, falamos com Flora Fernando, 21 anos de idade. Deu-nos a conhecer que os mosquitos são muitos no bairro de Munhava. Os rociadores não circulam sempre. Consequentemente, os mosquitos abundam e, evidentemente, os índices de malária são elevados.

Abel Mussaca é uma das vítimas da malária. Com 11 anos de idade, Abel vive no bairro da Munhava, e encontrá-lo na companhia de amigos brincando. Ainda é menor mas sabe que existe malária e é preciso usar rede mosquiteira.

Infelizmente, os seus pais não conseguem dar-lhe a necessária protecção. Na sua casa vimos uma rede mosquiteira encardida e pendurada de modo a secar. Era a única mas, por falta de conhecimento, estava exposta ao sol.
Enfim, estes são alguns dos casos dos tantos que vivemos nas unidades sanitárias de Cabo Delgado, Nampula e Sofala.

Cenário II
Prevenção fraca
A prevenção da malária segundo a estratégia do MISAU, devia ser feita pelo controlo larval através da gestão ambiental e métodos físicos, químicos e biológicos; pela pulverização intradomiciliária (PIDOM) e uso de redes mosquiteiras tratadas com insecticidas (REMTI).
Infelizmente, os dados apresentados pelo Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM) ao nível central e provincial indicam que estes métodos não estão amplamente implementados.

Aliás, mesmo da conversa com os responsáveis dos programas da malária nas províncias que visitamos, o sentimento é de que muito foi feito, em termos numerários, mas tal não basta.

No caso do controlo larval, apenas Maputo é que está a implementar o método, enquanto outras províncias como Nampula estão ainda na fase experimental, segundo dados do PNCM.
O PIDEM está concentrado nos centros urbanos, mas, mesmo aqui, não é abrangente.

Por exemplo, na província de Nampula, dos 21 distritos da província, apenas cinco estão cobertos pela pulverização intradomiciliária. Trata-se da cidade de Nampula, Nacala Porto, Angoche, Ilha de Moçambique e Vila Namialo.
O único exemplo de sucesso digno de menção, quanto ao PIDOM, é o trabalho que está a ser realizado pela Iniciativa do Desenvolvimento Espacial dos Libombos, na província de Maputo.

Enquanto isso, a distribuição das redes mosquiteiras feita com apoio de organizações como a Malaria Consortium, Fundo das Nações Unidas para a Infância, entre outras, decorre um pouco por todo o país mas, de forma exclusiva, nas maternidades.

Para já, o MISAU diz que a distribuição de redes não é prioridade. Basta ver que, no ano passado ofereceu 938.950 redes, um número que está longe de satisfazer as necessidades da população, olhando o nível de episódios que acontecem anualmente, em todo o país.

Enquanto isso, o tratamento intermitente preventivo (TIP), outra estratégia de prevenção executada no seio das mulheres grávidas, acontece em todas as unidades sanitárias onde são realizadas as consultas pré-natais. Todavia, continua longe das metas.

Vejamos, mais uma vez, os dados do TIP em Nampula. De acordo com Jaime Selemane, coordenador de malária, tuberculose, HIV/SIDA e lepra, a cobertura do TIP é de 60 porcento, mas a meta é de atingir, pelo menos, 80 porcento.

Cenário III
Tabus e desonestidade
Nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Sofala onde dialogamos com doentes sobre a malária, ficamos a saber que a prevenção individual ainda não está devidamente assumida. Deixando de lado a responsabilidade do Estado, apurámos que há tabus e equívocos no seio de muitas famílias e que dificultam o uso dos métodos preventivos convencionais. Ademais fala-se de desonestidade dos rociadores do PNCM que fazem a pulverização.

De acordo com Brighton Masaki, representante da Proserv, na província de Nampula, muitas pessoas ainda não assumiu que é preciso ter a cultura do uso da rede, embora a tendência estivesse a mudar. Proserv é um dos principais privados que importa e comercializa redes mosquiteiras tratadas com insecticidas de longa duração.
Ele tem 53 revendedores que operam em diferentes estabelecimentos comerciais e 120 do nível informal.

para ser continuado na próxima edição

 
 

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